Qual seu método de estudo? Vira noite estudando horas e horas seguidas? Colore o texto inteiro com vários marcadores de texto? Ou prefere ainda resumir tudo o que puder?

Ao contrário da crença popular, um estudo americano mostra através de uma análise de dez estratégias de aprendizado diferentes que estudar durante horas, grifar e resumir estão entre as técnicas menos eficazes. O artigo, “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising directions from cognitive and educational psychology”, publicado em um periódico de psicologia, aponta para outras direções.

Quais seriam, então, as técnicas mais eficazes?

Os métodos de maior êxito analisados no estudo são o autoteste e a repetição espaçada. A realização de exercícios ainda seria mais benéfica quando for acompanhada de feedback, ou seja, ao testar a si mesmo, estudante julga o porquê de outras respostas serem erradas, além de apenas buscar a resposta certa.

A repetição espaçada seria uma opção às horas seguidas de estudo de um mesmo tema. “Muitos alunos viram a noite antes dos exames, o que leva à má retenção da informação – eles esquecem quase tudo logo após a prova!”, diz à Carta na Escola um dos autores do estudo, John Dunlosky, professor da Universidade Estadual de Kent. Essa maneira vem sendo recomendada com frequência por aprendizes autodidatas (com ênfase para concurseiros e aprendizes de novos idiomas) – apps para celular relacionados a estudo, como o Anki, se baseiam no mesmo princípio, e vem ganhando popularidade.

Essencialmente, a repetição espaçada é uma tática empregada a longo prazo, com sessões de estudo menores e mais bem distribuídas, em que o estudante revisa o tema estudado com certa frequência a princípio, com intervalos mais longos entre uma revisão e outra conforme for fixando o assunto estudado.

“A chave é estudar o mesmo conteúdo (usando uma estratégia eficaz como testar a si mesmo) várias vezes para ter os maiores benefícios e sucesso a longo prazo”, recomenda Dunlosky.

Mas então os métodos comuns não funcionam?

Não necessariamente.

“Na verdade, quase todos os alunos releem seus materiais de estudo, mas o problema é que quando fazem isso, quase sempre, só passam os olhos por cima e não processam o conteúdo profundamente, o que é fundamental para a compreensão de temas mais difíceis”, aponta o professor. Dessa maneira, o problema não seria o método em si, mas sim o uso que se faz dele, sua execução incompleta ou falha, como marcar o texto inteiro sem utilizar um critério para avaliar o que de fato é importante ser destacado. “Claro que resumir pode ser uma habilidade importante em si e eu nunca tiraria um marcador de texto de um estudante – eu até tenho um favorito. Mas, os alunos precisam entender que o uso de um marcador para destacar conteúdos é apenas o início da jornada de aprendizagem”, completa.

Por outro lado, um dos raciocínios para avaliar o sucesso das técnicas foi o quanto funcionavam para o maior número de pessoas, o que deixa de lado o fato de certas maneiras de estudar funcionarem melhor para determinadas pessoas, como ao uso de imagens mentais, que recebeu baixa pontuação no estudo, porque muitos não conseguiam praticá-lo – mas ainda funcionava para certo número de pessoas. Assim, os resumos, marcação de texto ou o estudo de um tema em uma sessão de horas seguidas podem funcionar, enquanto o autoteste pode não ser assim tão eficaz para uma determinada pessoa. “No entanto, testes e estudos espaçados podem beneficiar praticamente todo mundo”, avalia Dunlosky.

O professor ainda espera que, com a divulgação do estudo, essas técnicas possam ser melhor utilizadas em aula para beneficiar um maior número de alunos, pois os próprios programas de formação de professores não enfatizam essas técnicas. “Para os professores, recomendo começar cada classe com uma revisão diária do conteúdo, o que implicaria um teste breve com os alunos sobre o tópico mais importante visto na aula anterior”, o que, além de auxiliar na fixação do conteúdo, lhes daria mais confiança ao serem testados em provas decisivas.

Como demonstrado pelo estudo, não há métodos definitivos ou que funcionem para 100% das pessoas. Encontre a sua forma de estudar, teste métodos diferentes e busque resultados. O estudo não é assustador como se diz quando se sabe qual maneira funciona para você. Não deixe de lutar se o erro induzir aos primeiros fracassos mesmo depois de tentar – você apena provavelmente ainda não encontrou sua maneira certa de tentar. Não desista, pois você pode tudo através do esforço e da dedicação.